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O histórico encontro de Pelé e Niemeyer

“O Oscar do futebol” e o “Pelé da Arquitetura” encontraram-se em 2010 para a entrega de um projeto que não saiu do papel

 

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Pelé e Niemeyer em 04 de dezembro de 2010.

 

Edson Arantes do Nascimento e Oscar Niemeyer encontraram-se uma única vez na vida, na tarde do dia 4 de novembro de 2010 no Edifício Ypiranga, situado na Avenida Atlântica, 3.940, diante do mar de Copacabana, no Rio de Janeiro. O arquiteto tinha seu escritório no 10º andar do edifício.

Um único encontro, mas um momento histórico que marcou a entrega de um projeto do arquiteto para um monumento que seria – mas não foi – construído em pátio do Museu Pelé em Santos.

 

Na ocasião, o arquiteto disse que “Pelé é um ídolo e nunca será esquecido. Ele é o jogador de todas as gerações e merece várias homenagens”. Os repórteres, então, quiseram saber de Edson se ele considerava Niemeyer o Pelé da Arquitetura. “Claro, mas aí eu fico como? O Oscar do quê?”, devolveu a pergunta, rindo. “Do futebol, caro Edson”, respondeu o arquiteto.

 

Crônica do jornalista, escritor e pesquisador Sérgio Willians dos Reis, publicada em 24 de março de 2022 no blog “Memórias Santistas”, reconstitui o momento.

“A expectativa era pulsante, incontestavelmente sentida por todos os cantos da enorme sala de 200 metros quadrados que o famoso arquiteto Oscar Niemeyer mantinha há décadas no edifício. Eram quase três horas da tarde e todos queriam testemunhar um encontro de “titãs”, de majestades. De um lado, um dos maiores expoentes da arquitetura nacional, o anfitrião; do outro, o visitante, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, soberano dos gramados do esporte mais popular do planeta, o futebol”.

“A pauta do encontro não se dera por questões atinentes tão somente à notoriedade da dupla, mas sim pela apresentação de uma obra de arte para um velho artista da bola. O arquiteto, sabedor do projeto que estava transformando os Casarões do Valongo, em Santos, no futuro Museu Pelé, queria encaminhar sua modesta contribuição, na forma de um monumento magistral, com a assinatura Niemeyer. Era a oportunidade única de o rei do futebol trocar passes perfeitos com o centroavante da arquitetura nacional”.

“Quando o relógio apontou 15h40, eis que finalmente o esperado encontro se deu. Pelé estava acompanhado do então prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa, e diversos secretários e assessores. O jornal A Tribuna, também presente, registrou o momento mágico. Depois dos cumprimentos efusivos, e muitos comentários agradáveis sobre a viagem ao Rio, a equipe do escritório de Oscar Niemeyer trouxeram os desenhos pensados pelo mestre. Pelé arregalou os olhos e disse apenas uma palavra: “Maravilha!”. “Eu sempre falo: homenagem tem de ser em vida. Deixa-me dar um beijo no nosso herói”, disse o futebolista, enfatizando que não havia nada mais sublime do que poder testemunhar homenagens com os próprios olhos”.

Reportagem do UOL de 04/12/12010 menciona que Pelé disse ter sido uma “benção” a homenagem.

Reportagem do Jornal da Record da mesma data (assista abaixo) registra uma frase de Pelé segurando nas mãos de Niemeyer: “Esta não foi uma tabelinha, foi uma tabelona”.

 

A obra consistia em uma esfera de sete metros de diâmetro, que funcionaria como uma espécie de memorial, e uma estrutura de 20 metros de altura, com um elemento vazado representando o famoso “soco no ar”, tão característico das comemorações do Rei do Futebol nos gramados. O Museu Pelé foi inaugurado em 2014 durante a Copa do Mundo realizada no Brasil, mas o projeto de Oscar Niemeyer ficou no papel.

 

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Representações do projeto.

 

De volta ao texto do blog: “O encontro foi histórico por unir dois dos nomes mais conhecidos do Brasil no exterior, cada um em seu campo de atuação. E porque poucas vezes se viu um Edson Arantes do Nascimento tão feliz, a ponto de se colocar na posição de anfitrião. Quando a equipe de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas esperava pela apresentação do projeto, em outra sala, foi Edson quem prontificou a conduzir o mestre de 102 anos de idade, boa parte deles vivido para a arquitetura, para a coletiva. Pelé posicionou Niemeyer na cadeira, ao centro, ficando ele mesmo numa das pontas, e o prefeito Papa na outra. A alegria de Pelé se equivalia à de um garoto recebendo um brinquedo novo”.

O monumento previsto por Oscar Niemeyer em homenagem ao Rei do Futebol, era para ter sido erguido num canteiro central situado entre os Casarões do Valongo e a faixa de cais, entre as ruas Antônio Prado e Tuiuti. “Infelizmente, todo o entusiasmo pela viabilização da obra não resultou em nada. O projeto, que ofereceria à cidade de Santos uma assinatura de Niemeyer, acabou ficando mesmo apenas no papel. Ficamos no “quase”, mais uma vez”, afirma o texto de Sérgio William dos Reis.

O arquiteto viria a falecer dez dias antes de completar 105 anos de idade, em 5 de dezembro de 2012 (ele nascera em 15 de dezembro de 1907). Aquele foi o único encontro de ambos, mas o jogador jamais esqueceu o arquiteto. Foram diversas as postagens nas redes sociais no perfil @Pelé em homenagem a Oscar Niemeyer. Algumas delas:

 

 

Edson Arantes do Nascimento faleceu em 29 de dezembro de 2022 aos 82 anos de idade.

Fonte: CAU/BR

 

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