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Nota de pesar: Clóvis Ilgenfritz da Silva, pioneiro da Arquitetura Social

Clóvis foi responsável pela implantação do primeiro projeto de ATHIS em Porto Alegre na década de 1970

Clóvis Ingelfritz

Clóvis Ilgenfritz da Silva em palestra em Plenária do CAU/BR

É com pesar que o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil noticia o falecimento às 23h50 do sábado, dia 23, em Porto Alegre, do  arquiteto Clóvis Ilgenfritz da Silva, vítima de fibrose pulmonar. Ele tinha 80 anos e deixa três filhos: Letícia, Camilo e Tiago Holzmann da Silva , presidente do CAU/RS. O velório ocorre hoje, das 13h às 22h, no Plenário Otávio Rocha da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, e a cerimônia de cremação será na segunda-feira pela manhã, das 8h às 11h, no Crematório Saint Hilaire, em Viamão, na Região Metropolitana.

Para o presidente do CAU/BR, Luciano Guimarães, “o ano de 2019 tem sido cruel para a Arquitetura Social do país. Nem bem nos recuperamos da morte de Demetre Anastassakis, em julho, agora recebemos o baque da perda de Clóvis Ilgenfritz da Silva. Sua obra expressou exemplarmente a diretriz da função social da Arquitetura formulada pelo I Congresso Brasileiro de Arquitetos realizado em 1945 e desde então sempre reforçada. Seu pioneirismo na implantação de um projeto de assistência técnica para habitação de interesse social, na década de 1970, em Porto Alegre, foi a semente da ATHIS no país. A morte de Clóvis causa uma enorme tristeza. A Arquitetura e Urbanismo, nossos colegas e o país perdem um guerreiro do bem”.

O arquiteto foi presidente e fundador da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), entre 1983 e 1986, e do Sindicato dos Arquitetos no Estado do Rio Grande do Sul (Saergs), em suas primeiras três diretorias (1974 a 1983). Também foi vice-presidente do CAU/RS e conselheiro do CREA/RS. Em outubro passado,  Clóvis Ilgenfritz da Silva foi homenageado no 21º Congresso Brasileiro de Arquitetos (CBA), realizado em Porto Alegre, com o Colar de Ouro, comenda criada pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) como reconhecimento máximo aos arquitetos pela sua obra e atuação profissional. 

Formado em 1965 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), o arquiteto Clóvis Ingelfritz da Silva dedicou boa parte de sua trajetória profissional a trabalhos de habitação popular e planejamento urbano, dividindo-a com a atuação em entidades representativas dos arquitetos. Ele foi pioneiro na defesa da Assistência Técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitações de interesse social, que considerava “como um SUS da habitação”, fundamental para melhorar as moradias e atingir um segmento da população sempre desassistido.

No currículo de Clóvis está também uma extensa atuação ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT), tendo sido um dos fundadores do partido (1981) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no mesmo ano.Foi vereador em Porto Alegre por três vezes na década de 1990 e deputado federal.

Para Nivaldo Andrade, presidente do IAB/DN,  “Clovis foi uma referência para todos nós e o IAB e os arquitetos brasileiros nos orgulhamos de tê-lo tido conosco. Sua missão de garantir o acesso à arquitetura e ao organismo às pessoas de baixa renda é extremamente atual e precisamos, mais do que nunca, nos espelhar em sua trajetória”.

Segundo  arquiteto e urbanista Gilson Paranhos, ex-presidente do IAB e igualmente dedicado à Arquitetura Social, “Clóvis teve uma vida em defesa dos mais necessitados. Homem de trincheira, de luta, fortíssimo e de coração sensível. A mesma mão que batia acariciava e com uma dignidade enorme” . Em determinado momento, conta ele, ” precisei falar com o presidente da República e Clóvis não exitou: “É meu amigo, tchê, vamos lá…e foi importantíssimo pra que hoje os arquitetos brasileiros pudessem tratar da Assistência Técnica ás famílias de baixa renda. Idealizou a lei federal 11888/2008 depois de viver a prática da mesma”. Ele complementa, em despedida: “vá tranquilo meu guru, o bastão está em nossas mãos, você cumpriu sua parte. Obrigado. Um grande e carinhoso abraço”.

“A trajetória de Clóvis Ilgenfritz da Silva se confunde com a criação dos sindicatos de arquitetos e da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas, há 40 anos.”, diz Cicero Alvarez, presidente da FNA. ” Clóvis foi um grande profissional, colega e amigo de todos que passaram pela organização dos trabalhadores e luta sindical, merecendo nossas homenagens. O legado de Clóvis será sempre lembrado na luta por um mundo mais justo. Clóvis Ilgenfritz da Silva, presente!”.

 

Veja no final da página mais repercussões.

 

ENTREVISTA DE 2017

Clique no link abaixo para acessar entrevista dada pelo arquiteto, em 2017, para a jornalista Gabriela Belnhak Moraes, do CAU/RS.

Memória: a luta de Clóvis Ilgenfritz da Silva contra a “arquitetura em arquitetos”

 

ENTREVISTAS DE 2018

Clique no link para assistir dois vídeos em que Clóvis fala de suas ideias e realizações em entrevista Jornal Sul21 e em palestra no CAU/RS:

Memória: Clóvis Ilgenfritz, por Clóvis Ilgenfritz, em dois vídeos

 

E mais

Em entrevista para uma edição especial da revista Projeto, de dezembro de 2018, sobre Habitação Social, editada em parceria com o CAU/BR, Ilgenfritz falou ao jornalista Adilson Melendez  sobre os antecedentes da promulgação da Lei nº 11.888/2008, um processo iniciado na década de 1970 e em que ele, atuante no Sindicato dos Arquitetos no Estado do Rio Grande do Sul, teve papel de destaque. Foram muitas as experiências pontuais desenvolvidas nos anos seguintes, e grande o envolvimento dos colegas arquitetos e urbanistas, mas, ele lamentava, “sem maior visão de continuidade, no sentido de torná-las permanentes”.

Foi para o arquiteto Clóvis Ilgenfritz da Silva que o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva telefonou, na véspera do Natal de 2008, para comunicar, em tom de brincadeira, que dera de presente para os arquitetos a Lei 11.888/2008, conjunto de determinações legais que garante às famílias de baixa renda a assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitações de interesse social.

A ligação era um reconhecimento ao arquiteto gaúcho que, ao assumir o mandato de deputado federal pelo PT, tomou a inciativa de apresentar um projeto de lei tratando do tema, sobre o qual se tornara pioneiro ao, décadas antes, fazer avançar trabalhos viabilizados a partir desse instrumento. Quando se afastou de Brasília, salienta Ingelfritz, foi o deputado Zezéu Ribeiro (deputado federal pelo PT da Bahia, falecido em 2015), também arquiteto, quem passou a conduzir o projeto.

Além de questões políticas, pesaram nesse processo a própria falta de conhecimento da classe sobre as particularidades de se atuar com reforma de habitação de caráter social: “O profissional tinha que desenvolver um trabalho que, às vezes, era muito mais difícil do que outros já feitos na faculdade”, testemunha o arquiteto.

A situação começou a mudar nos anos 1990 quando, assumindo o cargo de deputado federal, Ilgenfritz fez parte de um grupo que formulou e registrou na Câmara Federal um projeto que foi a base para a Lei nº 11.888/2008, contando em seguida com o fundamental suporte do também deputado federal, pela Bahia, Zezéu Ribeiro. O passo seguinte, passados quase 20 anos, foi a promulgação da lei.

 

MAIS REPERCUSSÕES

Gislaine Vargas Saibro, ex-conselheira federal do CAU/BR pelo RS: “Clóvis foi um colega de muitos amigos, que sempre lutou de forma incansável pelo que acreditava, em todas as atividades em que esteve envolvido. Pensou e batalhou pela “Arquitetura para Todos”, em sua trajetória profissional e política”.

 

Via CAU/BR

 

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