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Iluminação na arquitetura foi tema do 7º Encontro entre Arquitetos

Iniciado em dezembro de 2015, como parte da programação mensal em comemoração ao Dia do Arquiteto e Urbanista, os “Encontros entre Arquitetos” tem o objetivo de criar um espaço para ampliar o diálogo entre os nossos colegas, os arquitetos e urbanistas, e demais interessados. E nesta edição, vamos tratar de iluminação na arquitetura.

O evento, iniciativa do Colegiado Permanente de Entidades de Arquitetos e Urbanistas – CEAU do CAU/MG, trouxe, em sua sétima edição, no dia 16 de junho, a temática sobre iluminação de monumentos e fachadas nas cidades. A abertura, contou com as presenças dos arquitetos e urbanistas, Vice-presidente do CAU/MG, Júlio De Marco, da Presidente do IAB/MG e também Secretária do CEAU, Rose Guedes e do Presidente do GEMARQ, Danilo Batista.

Os palestrantes, José Canosa Miguez (Conselheiro Estadual do CAU/RJ e arquiteto e urbanista da Lighting Designer) e Verena Greco (engenheira de vendas da Sunew), discursaram sobre a importância da iluminação na criação e valorização do espaço urbano noturno, abordando seus aspectos arquitetônicos e urbanísticos e os impactos paisagísticos e ambientais e as tecnologias das células fotovoltaicas.

Dando início às palestras da noite, Verena Greco apresentou o trabalho que desenvolve utilizando a energia solar, a forma de energia mais abundante no planeta e a única que tem o potencial e a capacidade de substituir todas as demais, que, embora não seja, ainda, a mais utilizada, é aquela cujo consumo mais cresceu na última década. Discorreu que são duas as formas de geração dessa energia, a Energia Solar Concentrada, como se faz nas fazendas solares, e a Distribuída, que, por sua vez, pode se dar de duas outras maneiras: “rooftop”, com o uso de painéis na cobertura de edificações, com um payback, atualmente estimado, em 7 anos, e no conceito de “Energy Everywhere”, cujo foco são os mercados não atendidos pela tecnologia tradicional, utilizando-se de tecnologia em desenvolvimento, ao invés de células de silício maduras, com a introdução de Filmes Fotovoltaicos orgânicos – OPV – um filme constituído por 5 camadas de tinta líquida e orgânica impressas uma a uma, o que o dota de características de leveza, flexibilidade, transparência, reciclabilidade, resistência a impacto, captando energia in door inclusive, apresentando variações de cor, podendo ser customizado.

Explicou que a empresa SUNEW é uma spin off do instituto de pesquisa CSEM BR, que , por sua vez, tem como referência o CSEM, originado na Suíça, sendo uma das poucas empresas que desenvolvem essa tecnologia no mundo, com um processo produtivo a baixo custo, sendo a única com capacidade de desenvolver filmes de mais largos.

O estado da arte desta tecnologia hoje é que, ainda, gera menos energia e é mais caro que os processos que empregam o silício, mas, por utilizar matéria orgânica, há um campo vasto a ser trabalhado para adquirir maior eficiência, apresentando uma forte pegada no design, lembrando que ela é utilizada onde o silício não é adequado como estacionamentos, fachadas, coberturas em curvas, tetos de automóveis, baús de caminhões, abrigos de ônibus, etc.

Em seguida, foi a vez de José Canosa Miguez, que nos apresentou sua experiência com a iluminação pública na cidade do Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar com este assunto em 1993, na RIOLUZ, da qual acabou sendo presidente em 2000, quando ela se tornou uma referência internacional de iluminação de edifícios e monumentos, tendo em seu portfólio a iluminação de 168 monumentos , sendo que esta empresa é uma das únicas empresas municipais no Brasil que elabora projetos e realiza a implantação e distribuição de redes deste tipo, tendo sido um grande desafio que pode ser vencido com a interação multidisciplinar de arquitetos e urbanistas e engenheiros.

Ele relatou que, no início, os monumentos e edificações eram iluminados de uma forma chapada sendo que a demanda era para se reproduzir, à noite, o efeito de iluminação da luz solar, como no caso da Igreja da Glória.

Sua apresentação se baseou em notícias recentes na imprensa sobre a iluminação pública e de monumentos. Foi apresentado o caso da sede da Fundação FIOCRUZ, nos moldes de um palácio mourisco datado do início dos anos 1900, cuja iluminação atual o descaracteriza, como se prestando um desserviço tanto à edificação quanto à paisagem da qual faz parte, pois descaracteriza a obra. A seguir, o caso da ponte estaiada da Linha 4 do metrô na Barra da Tijuca, que, por si só, constitui um elemento que rompe com a escala do lugar, se tornando sua iluminação “uma verdadeira fanfarra circense “, nas palavras de Luiz Fernando Janot, sendo “um exagero à quinta potência”, nas palavras de Pedro da Luz. Não sendo este um caso isolado pois existe outra ponte similar na Avenida Ayrton Sena, o que nos leva a refletir se haverá limites para a iluminação na cidade.

Ponderou-se que a luz é quase um elemento virtual do qual se tem o controle. Com isto, iluminar monumentos deve ser um ato de criatividade e respeito à obra que se quer evidenciar, uma vez que o lightning designer trabalha sobre a obra de outro auto, quer seja um homem, quer seja Deus. Ao se iluminar feições naturais, devendo refletir um profundo respeito pela obra de outros artistas que as conceberam e as construíram. Neste sentido, a luz não é mais importante que a obra iluminada, devendo o trabalho deste designer expressar uma releitura da obra através de seu respeito e sentimento.

O urbanismo do século passado concebeu a cidade durante o dia, e uma cidade compartimentada, na qual a iluminação pública teve uma abordagem viária, a partir do trabalho do engenheiro em observância uma norma técnica. A iluminação acabou priorizando o carro, assim como as vias da cidade fizeram. Deve-se considerar que a iluminação é uma atividade com cerca de 100 anos existindo muito a ser descoberto e tentado, devendo a luz ser tida como um poderoso elemento de criação de referências simbólicas, na transição de uma iluminação pública para uma iluminação urbana.

A luz :
– permite a visão e nisso tem de considerar as diversas necessidades, como a do pedestre que necessita perceber pessoas e objetos com uma clareza, e a do motorista que precisa de que haja uma uniformidade na sua distribuição, por exemplo, ou seja, deve ser específica para necessidades específica;
– participa da sinalética, marcando as trajetórias e percursos;
– cria cenografias, permitindo afirmar ou negar formas, cores, volumes, vazios, escalas, o que implica em se decidir que partido de iluminação a se adotar para se obter a concepção visual desejada;
– define a ambiência psicológica no ambiente, considerando-se, ainda, que a luz tem valores simbólicos – invoca a divindade, simboliza a segurança, a vida, a exaltação e a força, é sinal de fausto e cerimônia, está presente de diversos modos nos ritos, inspira sentimentos e define o cosmos.

São várias as técnicas de iluminação utilizada em monumentos, e podem ser utilizadas isoladas e em conjunto, permitindo se criar uma ferramenta decorativa. São elas: up light ou contre plongée, tangente, down light ou plongée, rasante, contra luz. Para a utilização dessas técnicas do melhor modo há que se ter uma interação entre o arquiteto e urbanista, o arquiteto paisagista e o lightning designer.

Por fim, trouxe uma outra notícia recentemente divulgada sobre a criação do Atlas Global de Poluição Luminosa, segundo o qual um terço da humanidade não tem mais a percepção das galáxias e nem da luz da lua, tamanha é a contaminação luminosa do planeta originada da poluição luminosa cuja causa é a emissão inadequada da luz, o que faz com que cerca de apenas 100 estrelas estejam presentes no lábaro sobre as cidades, o que gerou uma civilização iluminada repleta de cegos pela luz.

Um terço da energia que se utiliza na iluminação pública é lançada no espaço, o que significa, grosso modo, em termos nacionais que cerca de seis por cento da energia gerada no Brasil é assim desperdiçada, devendo se trazer à mente que envidamos esforços durante os horários de verão para economizar um por cento de consume do energia. A geração de iluminação pública implica na produção de resíduos tóxicos uma vez que, tanto lâmpadas como luminárias utilizam metal pesado, trazendo consequências para o meio ambiente tanto durante o uso quando tornadas dejetos. A iluminação de feições naturais traz consequências com mudanças de hábitos da flora e da fauna tanto diurna quanto noturna, principalmente alterando os ciclos circadianos de cada indivíduo e a produção de hormônios como a melatonina, tendo consequências específicas em algumas espécies, atraindo as aves, provocando o choque delas contra edificações, por exemplo.

Iluminar demais não significa iluminar bem, trazendo consequências como o ofuscamento para o trânsito de pedestres e veículos, terrestres, aéreos e marítimos, e como a criação de luz invasiva a edificações no período noturno.

Ao fim da palestra houve espaço para um debate direcionado e tira dúvidas da plateia. No link abaixo você pode conferir as fotos do evento.

Iluminação na arquitetura

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