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Dia da Mulher: As arquitetas fiscais do CAU/MG

No Dia Internacional da Mulher, apresentamos as profissionais da Gerência de Fiscalização

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Atualmente, o estado de Minas Gerais é predominantemente feminino no que diz respeito a arquitetos e urbanistas registrados no Conselho. Dos 11.977 profissionais mineiros, 68% são arquitetas. Apesar de nem sempre terem o mesmo destaque, e muitas vezes seus trabalhos não alcançarem o grande público, as mulheres estão presentes nas mais diversas áreas de atuação, realizando atividades significativas.

Neste Dia Internacional da Mulher, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais – CAU/MG traz relatos e informações sobre algumas das profissionais que trabalham em prol do pleno exercício da arquitetura e urbanismo no estado. As arquitetas e urbanistas da fiscalização do Conselho.

O CAU/MG tem uma exclusividade feminina no setor responsável por sua principal finalidade, sendo um dos 6 CAU/UF’s que conta com uma Gerência de Fiscalização totalmente composta por mulheres.

No comando da Fiscalização

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A Gerência é liderada pela arq. urb. Samira Houri, que está envolvida com a área desde a infância. Através do desenho, intervenções nos ambientes em que brincava, dentre outras atividades, a gerente foi desenvolvendo seu afeto pela arquitetura e urbanismo. Já na adolescência, descobriu a formação tecnológica na área de edificações no Centro de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET-MG, e teve assim a certeza de ingressar de vez na arquitetura.

Além de sua prévia experiência em edificações, Samira tinha também forte afinidade com o urbanismo, tendo realizado pesquisa na área e trabalhado com estudos de viabilidade e loteamentos. Tem como referências, mulheres que atuam na área tais como as arquitetas e urbanistas Raquel Rolnik e Ermínia Maricato.

Por ser também arquiteta fiscal, sua atuação vai além do administrativo, realizando diligências in loco. Segundo a gerente, “as mulheres enfrentam dificuldades apenas por serem mulheres, independente de sua capacidade e/ou formação profissional”.

Cidades inclusivas

A arq. urb. Priscila Gama, arquiteta fiscal da sede do CAU/MG, só teve ciência de que arquitetura e urbanismo era uma profissão, na adolescência. Não tinha contato com a área em si ou com quem atuasse na construção civil, mas já analisava por horas os empreendimentos imobiliários em propagandas de jornais. Focou em projeto arquitetônico no período de faculdade, e pesquisas relacionadas ao exercício projetual de residências e como este espaço foi afetado pelas mudanças sociais e inserção de tecnologias. Participou de alguns concursos de projetos, tendo recebido menção honrosa do IAB-MG e Eletrobrás/Procel.

Uma das linhas de pensamento da arquiteta é que devemos trabalhar por espaços urbanos mais democráticos e acessíveis para as mulheres. Questão essa com que Priscila contribui, além de sua atuação no Conselho.

Ela é criadora do aplicativo “Malalai”, um sistema de acompanhamento de rotas individuais, a fim de monitorar o deslocamento de quem o utiliza, e de mapeamento de pontos negativos e positivos nas ruas da cidade, diminuindo o risco em diversos trajetos. Confira matéria publicada no site do CAU/MG sobre o aplicativo, clicando aqui.

A arquiteta também acredita que as dificuldades que as mulheres enfrentam independem de sua profissão, mas sim do ambiente em que estão. Em locais majoritariamente masculinos “há o que chamamos de parede de vidro: não é vista, mas está ali”, diz.

Fiscalização no interior de Minas

Dos 853 municípios mineiros, o CAU/MG está instalado em cinco, além da sede na capital de Belo Horizonte. Somado a isso, o Conselho é um órgão relativamente novo e, portanto, sua atuação ainda não é tão abrangente. Nossas arquitetas dos Escritórios Descentralizados enfrentam um maior desconhecimento do trabalho que esta autarquia presta, por parte das pessoas envolvidas na construção civil. E somam-se ainda preconceitos contra a mulher enquanto agente fiscal.

A arq. urb. Luana Pascoal, lotada no Escritório do CAU/MG em Ipatinga, sempre teve um interesse por desenhos, projetos e maquetes. Formada em arquitetura e urbanismo há 13 anos, atuou em órgãos públicos desde o início da profissão.

Ela relata que os problemas mais comuns no exercício de sua profissão são documentação incompleta nas obras, despreparo dos responsáveis in loco ao atender à fiscalização, preconceito da atuação de mulheres na construção civil, além de dificuldades inerentes ao trabalho de campo (temperaturas elevadas e intempéries).

Dificuldade além das dificuldades

Agentes de fiscalização são profissionais que eventualmente são recebidos com certa hostilidade. Mulheres que atuam nessa área têm, além deste, mais empecilhos e periculosidades para adicionar às suas preocupações.
Ao realizar suas diligências, as arquitetas fiscais devem se atentar para a forma de se portar e de se vestir. Elas devem ser cordiais, mas não podem ser simpáticas, pois essas questões podem levar a uma má interpretação por parte de quem está nos locais que recebem a fiscalização.

Outra cautela que as fiscais devem ter é quando precisam entrar nas obras, pois se afastam do campo de visão do motorista responsável pelo transporte, quanto ele está presente. Priscila tem o costume de pedir que este fique atento e se dirija ao local caso demore para sair.

Reconhecimento e referências

Na cultura brasileira, a própria arquitetura e urbanismo ainda busca o reconhecimento que merece. As profissionais de renome na área muitas vezes não recebem a valorização no próprio meio que atuam. Para Priscila, “não há representatividade, e ocorre então um efeito dominó. Isto é, novas profissionais não têm outras em que se inspirar e a invisibilidade é perpetuada. Não me lembro de ouvir falar sobre nenhuma arquiteta durante a graduação. Tenho poucas referências. Das que tenho, gosto do trabalho de Lina Bo Bardi e Zaha Hadid. Da última, mais pela ousadia e inovação. Rompe com qualquer padrão e é iraniana, uma cultura absolutamente machista.”

Mulheres na Arquitetura e Urbanismo:

Em 2016 o CAU/MG fez uma série de postagens de profissionais que contribuíram para a arquitetura e urbanismo, não apenas profissionais da área, mas também entusiastas pela temática.
Você pode conferir essas postagens em nosso Facebook, clicando aqui.

 

Conselho e entidades por um cenário melhor

Um consenso entre as arquitetas e urbanistas fiscais do CAU/MG é de que, tanto o Conselho, quanto entidades, podem ajudar a melhorar o reconhecimento da mulher enquanto profissional. Através de campanhas de valorização e debates sobre o tema. E entendem que esse trabalho possa ser realizado independente da proximidade com o Dia Internacional da Mulher.

Tratar da questão com maior frequência já é relevante. Não só em relação a arquitetas e urbanistas como mulheres, mas como profissionais gestoras e projetistas propositivas, que possam pensar o espaço urbano como um espaço mais democrático e acessível para mulheres. Alguns CAU/UF’s já caminham nesse sentido, como o CAU/RJ, que criou uma Comissão temporária para discutir equidade de gênero.

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