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CAU/MG promoveu debates sobre cidades inteligentes e inclusivas no Circuito Urbano da ONU

Seminário discutiu o plano diretor de BH e ampliou o conceito de cidades inteligentes

O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) celebra anualmente o Outubro Urbano. O mês tem esse nome porque começa com a comemoração do Dia Mundial do Habitat, primeira segunda-feira do mês, e termina com a celebração do Dia Mundial das Cidades,em 31 de outubro. Tem por objetivo refletir sobre uma diversidade de questões urbanas e compartilhar conhecimentos e experiências para promover um futuro urbano melhor. Justamente neste dia em que se comemora o Dia Mundial das Cidades, o CAU/MG promoveu o Seminário “Cidades Inteligentes e Garantias Sociais: Limites e Possibilidades”.

O evento fez parte do Circuito Urbano 2019, uma iniciativa do escritório do ONU-Habitat no Brasil. Trata-se de uma convocatória para apoiar institucionalmente eventos que ocorram durante o mês de outubro, e busquem dar visibilidade e estimular o debate acerca da implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e da Nova Agenda Urbana (NAU).

O seminário do Conselho contou com uma extensa programação composta por ciclos de palestras e debates, que perdurou por dois turnos principais: manhã e tarde. A intenção foi de fomentar o questionamento do circuito: “Como a inovação pode aprimorar serviços e políticas urbanas de maneira inclusiva e sustentável?”. Por isso, foram reunidos especialistas de diversos campos de atuação, para apresentar conceitos e exemplos práticos sobre o que é e quais são as possibilidades de se construir uma Cidade Inteligente.

Na parte da manhã, as boas-vindas na mesa de abertura ficaram por conta de Danilo Batista, Presidente do CAU/MG, Gabriela Moulin, representante do BDMG Cultural, Alain Grimard, Oficial Sênior do ONU-Habitat, Rodrigo Perpétuo, Secretário-Executivo do ICLEI América do Sul, e Henrique Evers, Gerente de Desenvolvimento Urbano do WRI Brasil. Ao fim das falas, deu-se início à palestra magna do evento, ministrada pelo representante oficial do ONU-Habitat, Alain Grimard, seguida de um debate temático com interações diretas do público.

Alain apontou na sua apresentação objetivos e passos importantes para a construção de uma cidade que provenha garantias sociais e desenvolvimento. O representante falou também da importância da criação de meios e estratégias para tornar viáveis a concretização das ODS. Segundo ele, é necessário repensar os modelos atuais de cidades, uma vez que existe uma disparidade de investimento em determinadas áreas, em comparação com outras. O conceito de mistura social e a criação de bairros mistos é essencial para o desenvolvimento das cidades e para o intercâmbio de culturas e modos de vida.

Durante a apresentação ele ressaltou que é preciso fomentar o desenvolvimento urbano sustentável e prover habitação de qualidade para todos, levando em conta os impactos das mudanças climáticas na vida das populações, por isso a sustentabilidade se apoia em três principais fatores, sendo eles: econômicos, sociais e ambientais. Citando Curitiba como um exemplo de cidade que aprimorou a mobilidade urbana e se transformou em um exemplo de inovação, afirmando que o Brasil já está no caminho de uma mudança considerável, uma vez que cerca de 50% das cidades Brasileiras já possuem Plano Diretor.

Após o intervalo que dividiu os dois períodos, foi a hora de começar a sessão de palestras e discussões. Foram 9 apresentações com abordagens diversas, divididas em dois painéis: “I – O que são cidades inteligentes? Quais os limites e estratégias para cidades inclusivas?” e “II – Planejamento urbano inovador e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Quais as possibilidades?”.

 Apresentação de Alain Grimard – DOWNLOAD

 

 

Cidades inteligentes, cidades inclusivas

Abrindo o conjunto de palestras do primeiro painel, Roberto Monte-Mór, Professor do CEDEPLAR – Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG, falou da transição das cidades de um urbano industrial para o disseminado urbano natural, resgatando a natureza e restaurando a percepção das nossas necessidades.

 

Em seguida, Raquel de Mattos, Demógrafa da Fundação João Pinheiro, abordou dados concretos sobre o Déficit Habitacional brasileiro, explicando sua relação com as cidades e a dificuldade, mas necessidade, de diminuição das carências habitacionais.

 Apresentação de Raquel de Mattos – DOWNLOAD

 

Circuito Urbano

O conceito de cidades inteligentes foi colocado em cheque na terceira palestra, por João Freitas, professor do Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Turismo do CEFET/RJ. Para ele, apesar das discussões sobre o assunto serem muito atuais a existência de uma definição já pré-estabelecida, torna inviável confrontá-la. Ou seja, mesmo já tendo um nome, uma definição exata, não conseguimos identificar uma cidade nesse formato real. Segundo ele, esse é um conceito em processo de desconstrução.

 Apresentação de João de Freitas – DOWNLOAD

 

Circuito Urbano

Relacionando o tema com a realidade de Belo Horizonte, Rodrigo Nunes, Gerente de Indicadores da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão da PBH, proferiu a palestra seguinte, onde fez uma ligação com o planejamento estratégico atual da capital mineira focado nos ODS, com ideais de uma mudança profunda que inclua o uso de novas tecnologias e produza uma cidade inclusiva para todos. Não deixando ninguém para trás e produzindo dados melhores, para decisões melhores e como conclusão, vidas melhores.

 

Circuito Urbano

Por fim, para fechar o primeiro painel de discussões do Seminário do CAU/MG no Circuito Urbano, Karla Albuquerque, Superintendente do Geoprocessamento Corporativo da Prodabel, destacou a importância de se conhecer as cidades, mapeá-las e entende-las. Karla destacou a ânsia humana de ter uma cidade que se chame de casa e a necessidade de colocar acesso público em áreas de vulnerabilidade social.

 Apresentação de Karla Albuquerque – DOWNLOAD

 

As possibilidades de um Planejamento Urbano inovador e os ODS da ONU

Circuito Urbano

O segundo painel teve como palestrante inicial o arquiteto Carlos Teixeira, Sócio Diretor da Vazio Arquitetura. Sua palestra apresentou alternativas para reestruturação de locais vazios nas cidades, apresentando uma diferente possibilidade de planejamento urbano.

 

Henrique Evers, Gerente de Desenvolvimento Urbano do WRI Brasil, deu segmento à discussão, propondo que inovação talvez não seja criar algo do nada, mas usar de forma mais eficiente o que já temos em mãos. Henrique falou um pouco também sobre a estruturação das cidades pelos seus meios de transporte, facilitando a mobilidade e sobre o crescimento urbano compacto.

 

Circuito Urbano

Em seguida, Rodrigo Perpétuo, Secretário-Executivo ICLEI América do Sul, apresentou um ponto de vista diplomático sobre o assunto. Para ele, a sustentabilidade é um tema central em todo o mundo e para caminhar junto à inovação, o conceito de cidade inteligente, tem de estar estruturado na transparência entre governo e população. É preciso incentivar o diálogo entre sociedade e gestão.

 

Circuito Urbano

A última palestra do painel e do dia foi de Gisella Lobato, Diretora de Gestão da Política Urbana DGPU/SUPLAN/SMPU. Ela fez uma descrição sucinta sobre a estruturação do plano diretor para a cidade de Belo Horizonte. Segundo ela, perguntas essenciais pautaram a construção do plano “Quem tem acesso à cidade? Quem vive BH?”. A ideia é melhorar a cidade de forma que ela se faça de todos e para todos. Gisella defendeu a Outorga Onerosa, afirmando que essa vem para equacionar o direito de todos dentro da cidade, uma vez que existe uma desigualdade de investimento entre áreas habitadas na cidade de Belo Horizonte.

 

 

O outro lado da discussão

Circuito Urbano

Todos os nove palestrantes e os mediadores, Hugo Salomão França (Diretor de Relações Internacionais PBH) e Felipe Bitencourt (Diretor Way Carbon), retornaram ao palco para uma grande roda de discussões e esclarecimentos. A interatividade ao final do evento permitiu que os participantes tirassem suas dúvidas e entendessem melhor como funciona o planejamento das cidades e como transformá-las em ambientes mais inclusivos e habitáveis. 

 

Assista à gravação no Youtube do CAU/MG

Confira a íntegra do Seminário “Cidades Inteligentes e Garantias Sociais – Limites e possibilidades” do CAU/MG, que foi um dos mais de 160 eventos selecionados para a agenda do Circuito Urbano do ONU-Habitat. Aproveite e inscreva-se no canal do CAU/MG para acompanhar transmissões e novos vídeos.

 

Com a palavra, a platéia

Amanda Nascimento, que é Administradora Pública, acompanhou todos os painéis do evento do CAU/MG no Circuito Urbano. Segundo ela, o seminário foi muito importante para debater esse assunto que, na sua opinião, ainda é muito novo. “Ainda estamos engatinhando nesse assunto e abrir espaço para discutir sobre cidades inteligentes é muito importante. Foi um debate muito rico”, contou.

Indo para além de profissionais de arquitetura o seminário trouxe para a mesa de discussão diferentes áreas do conhecimento e para a Arquiteta e Urbanista Gabriela Mara, esse foi um ponto muito importante. “O mais legal foi a diversidade de profissionais que apresentaram pontos de vistas diferentes. Um profissional do turismo, outro da economia, outro historiador, isso foi muito agregou no debate não ficando tão restrito aos profissionais de arquitetura e urbanismo”, afirmou.

O evento atraiu também pessoas envolvidas na construção de planos diretores. Daiane Cristina é Engenheira Ambiental e está trabalhando na construção do Plano Diretor da cidade de João Molevade. Para ela o evento foi muito atrativo para a criação de novas ideias e conexões com a ODS, para o plano da sua cidade. Segundo ela, “a presença do oficial da ONU no seminário, demonstra que a organização está sim próxima do nosso país e representa um cuidado  com as questões locais, entendendo que as cidades são as soluções para os problemas e não só a origem deles”.

Circuito Urbano

 

Conheça o site do Circuito Urbano e fique por dentro dessa iniciativa que acontece anualmente, em outubro. Clique aqui.

 

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