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Arquitetura e o compromisso de “transformar as velhas formas do viver”

Palestra do professor Nivaldo Andrade foi destaque na terceira noite do Seminário Nacional de Patrimônio de Ouro Preto

 

nivaldo andrade

Nádia Somek, Leonardo Castriota, Nivaldo Andrade, Edwiges Leal e Flávio Carsalade.

 

A programação do 1º Seminário Nacional de Patrimônio – Caminhos para a valorização da arquitetura e urbanismo, que acontece em Ouro Preto (MG), se deslocou do Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) para o Teatro Municipal Casa de Ópera na noite do dia 14 de julho. A edificação construída no ano de 1769 em estilo barroco, predominante na cidade histórica, acolheu pesquisadores, profissionais de Arquitetura e Urbanismo e representantes dos CAU/UF de todo o país.

A noite foi marcada pela palestra temática proferida pelo arquiteto e urbanista Nivaldo Andrade, com a participação da presidente Nadia Somekh e dos professores Leonardo Castriota e Flávio Carsalade, com mediação da presidente do CAU/MG, Maria Edwiges Leal. Também houve assinatura do Termo de Cooperação entre o CAU/MG e a Prefeitura Municipal de Ouro Preto, além da apresentação da Orquestra de Cordas da Escola Livre Padre Simões de Ouro Preto.

Professor pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e ex-presidente do IAB/DN, Nivaldo Andrade fez um resgate do desenvolvimento da arquitetura e do ensino do patrimônio, destacando as escolas que forjaram a concepção da atuação profissional na área no Brasil. O professor usou uma flexão poética para definir o fazer na arquitetura de patrimônio: o ato de “transformar as velhas formas do viver”, emprestando trecho da letra do também baiano Gilberto Gil. Nivaldo falou sobre o perfil dos profissionais que se dedicam a interpretar as transformações necessárias em um projeto que envolva o patrimônio histórico.

“O restauro é um projeto singular e o arquiteto precisa ser capaz de formulação histórica, artística e crítica para apresentar as soluções técnicas que ele requer”, apontou. Ao final, ofereceu exemplos exitosos de preservação patrimonial nos últimos anos a partir da ação técnica de arquitetos, com mobilização da sociedade.

Prof. Arq. Urb. Nivaldo Andrade

A presidente do CAU Brasil, Nádia Somekh, que também é pesquisadora do tema, ofereceu contribuições à palestra. Segundo a presidente, é preciso considerar as demandas urgentes por habitação no Brasil e a mudança no perfil de profissionais de Arquitetura e Urbanismo no atual cenário da preservação do patrimônio no Brasil.

“Nos anos 50, os arquitetos eram uma elite transformadora que pôde fazer com que, através do IAB, a gente pudesse se apropriar do patrimônio e das suas possibilidades. Hoje, temos 51% de profissionais ganham até três salários mínimos e 82% das habitações no Brasil são feitas sem assistência técnica especializada”, alertou a presidente.

Ex-presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo, Nadia defendeu a disseminação de ações que aproximem o debate da população, a exemplo das Jornadas de Patrimônio realizadas na capital paulista. “É fundamental fazer com que o povo possa se apropriar da sua memória e da sua história”, afirmou.

A presidente também falou dos esforços empreendidos pelo CAU Brasil para a valorização do patrimônio material e imaterial. “Estamos trabalhando na perspectiva de buscar recursos também para a recuperação do patrimônio histórico assim como já fazemos com a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social”, disse.

O papel do arquiteto como técnico e mobilizador social pela conservação do patrimônio foi evidenciado pelo professor da UFMG, Leonardo Castriota. “Nós que lutamos pela cidade colecionamos perdas. Mas temos muitas vitórias quando atuamos coletivamente”, disse. Castriota listou alguns casos em que a atuação dos arquitetos foi estratégica para fazer frente a ofensiva contra o patrimônio.

Uma destas ações impediu uma alteração danosa ao Plano Diretor de Belo Horizonte. “Explicamos, por exemplo, que baixar taxa de permeabilidade significa inundações na rua. É nosso papel traduzir esses termos para a sociedade”, contou. O professor destacou a importância das entidades como articuladora da preservação patrimonial e o apoio do CAU.

Flávio Carsalade, que também é presidente do ICOMOS, assinalou o compromisso dos arquitetos e das organizações representativas dos profissionais da arquitetura e urbanismo. “Nós, arquitetos, temos um compromisso com a gestão da transformação. Sempre projetamos a partir de uma pré-existência, e trabalhamos no presente, a partir do tempo que passou para as futuras gerações”, observou.

O professor elogiou a iniciativa do CAU Brasil em formar a Câmara Temática de Patrimônio – um dos produtos do Seminário. “Temos um compromisso histórico com o patrimônio construído e com as cidades deste país e ele precisa ser reassumido pelas nossas entidades de classe”, afirmou.

 

Assista na íntegra

Confira a palestra completa do Prof. Nivaldo Andrade, a mesa de abertura, a assinatura do Termo de Cooperação entre o CAU/MG e o município de Ouro Preto e mais pelo player abaixo. 

Fonte: CAU/BR

 

Saiba como foi

Confira a cobertura completa do 1º Seminário Nacional de Patrimônio realizado pelo CAU Brasil em conjunto com o CAU/MG.

 

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